{"id":3345,"date":"2020-12-14T14:36:40","date_gmt":"2020-12-14T14:36:40","guid":{"rendered":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/?p=3345"},"modified":"2020-12-14T14:36:40","modified_gmt":"2020-12-14T14:36:40","slug":"mulheres-conquistam-espaco-na-area-de-usinagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/mulheres-conquistam-espaco-na-area-de-usinagem\/","title":{"rendered":"Mulheres conquistam espa\u00e7o na \u00e1rea de usinagem"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">A presen\u00e7a das mulheres avan\u00e7a em todos os setores da economia, basta ver o aumento do n\u00famero de representantes do sexo feminino assumindo posi\u00e7\u00f5es de comando em v\u00e1rias empresas no mundo, incluindo o Brasil. No setor metal-mec\u00e2nico e especificamente na \u00e1rea de usinagem, talvez at\u00e9 por certas caracter\u00edsticas da atividade, a participa\u00e7\u00e3o \u00e9 inferior a de outros setores. Por\u00e9m, embora ainda sejam uma minoria, tamb\u00e9m aqui elas est\u00e3o avan\u00e7ando, desempenhando fun\u00e7\u00f5es tradicionalmente executadas por homens, inclusive no ch\u00e3o de f\u00e1brica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estudo divulgado pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego h\u00e1 quatro anos aponta que o n\u00famero de vagas ocupadas por mulheres na ind\u00fastria metal mec\u00e2nica cresceu 37,3% em duas d\u00e9cadas. Ainda assim, de acordo com levantamento da ABDI &#8211; Ag\u00eancia Brasileira de Desenvolvimento Industrial, apenas uma de cada quatro pessoas empregadas na ind\u00fastria \u00e9 do sexo feminino.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conversamos com algumas profissionais que atuam no segmento de usinagem para conhecermos um pouco de suas trajet\u00f3rias e, tamb\u00e9m, os principais desafios encontrados dentro da ind\u00fastria metal mec\u00e2nica. No geral, a principal dificuldade apontada \u00e9 a pr\u00f3pria inclus\u00e3o no mercado de trabalho, j\u00e1 que grande parte das empresas ainda prefere contratar pessoas do sexo masculino.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Desde mar\u00e7o, Ellen Mariano \u00e9 coordenadora de Relacionamento com a Ind\u00fastria na Escola Senai Roberto Simonsen, localizada no Br\u00e1s (SP). Ela administra uma carteira com mais de 500 empresas, para as quais desenvolve solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. \u201cEu enxergo a usinagem e a mec\u00e2nica como agentes transformadores que fazem parte das vidas das pessoas\u201d, diz. Ellen trabalhou por mais de 10 anos no ch\u00e3o de f\u00e1brica (passando por tornearia mec\u00e2nica, prensas e m\u00e1quinas CNC), onde geralmente era a \u00fanica mulher, como nos tempos de estudante, quando tra\u00e7ou o objetivo de um dia ser docente do Senai.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 uma d\u00e9cada, ela passou a integrar o corpo docente da unidade do Senai em que trabalha at\u00e9 hoje. Foi a primeira docente da \u00e1rea de mec\u00e2nica e, em 2012, se tornou efetiva. \u201cFoi um processo longo de desenvolvimento de confian\u00e7a no meu trabalho. Eu dava aula de CAD\/CAM no per\u00edodo noturno, para alunos mais velhos e que j\u00e1 trabalhavam no ch\u00e3o de f\u00e1brica. Em treinamentos, muitas vezes, fui desafiada com perguntas dif\u00edceis, como se n\u00e3o fosse capaz de respond\u00ea-las\u201d, detalha.<\/p>\n<p><b>Fazendo a Diferen\u00e7a<\/b>\u00a0&#8211; Formada em Engenharia Industrial, Pamela Matias \u00e9 diretora da Usimarsopro Usinagem e Ferramentaria, de Vinhedo (SP) e tamb\u00e9m atua como consultora. Quando assumiu o cargo, h\u00e1 dois anos, a empresa apresentava baixo faturamento. \u201cHoje estou \u00e0 frente da \u00e1rea industrial, comercial e de projetos. Com o desenvolvimento de um trabalho de gest\u00e3o conseguimos dobrar o faturamento\u201d, afirma. Com a carteira de clientes ampliada, a expectativa \u00e9 de que a Usimarsopro cres\u00e7a por volta de 21% no pr\u00f3ximo ano. Para ela, uma gest\u00e3o feminina faz muita diferen\u00e7a, inclusive em termos de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A diretora conta que quando entrou na empresa, em um primeiro momento, suas sugest\u00f5es n\u00e3o eram acatadas. \u201cEu n\u00e3o liguei, continuei o meu trabalho e apresentei resultados. Muitas vezes, em reuni\u00f5es de empresas, associa\u00e7\u00f5es e cursos, a opini\u00e3o das mulheres \u00e9 bastante invalidada. \u00c9 preciso empoderar as mulheres\u201d, comenta. M\u00e3e de um menino de dois anos e meio e gr\u00e1vida de uma menina, Pamela lembra que muitas mulheres decidem pela n\u00e3o maternidade por conta da carreira e, muitas vezes, acabam se frustrando. E esse \u00e9 o tema de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. \u201cNa primeira gravidez eu pensei que a minha carreira fosse acabar, mas acabei desenvolvendo outras habilidades. As empresas deveriam dar um suporte maior para as m\u00e3es, existem muitas formas de adequar o trabalho, vide o que vem acontecendo por conta da pandemia\u201d, diz.<\/p>\n<p><b>Sem espa\u00e7o para preconceito<\/b>\u00a0&#8211; Programadora CNC, Gislaine Freitas est\u00e1 na ind\u00fastria faz 16 anos. H\u00e1 um m\u00eas passou a integrar o quadro de colaboradores da Grob do Brasil e \u00e9 primeira mulher a integrar o time de programa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de usinagem. \u201cNegra e mulher. Estou quebrando paradigmas! Existem outras mulheres na empresa, mas em usinagem apenas eu\u201d, se orgulha Gislaine, que tem a ind\u00fastria metal mec\u00e2nica correndo nas veias da fam\u00edlia: sua irm\u00e3 Jaqueline Freitas tamb\u00e9m trabalha com usinagem, no ch\u00e3o de f\u00e1brica. \u201cEla foi a minha inspira\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Gislaine afirma que j\u00e1 deixou de ser chamada para entrevistas de emprego por ser mulher. \u201cEu preenchia os requisitos e alguns homens, que n\u00e3o preenchiam, foram chamados\u201d. Mesmo com esse tipo de obst\u00e1culo, a programadora n\u00e3o deixa de ser confiante. \u201cEu me considero uma \u00f3tima profissional, recebo muito feedback positivo e confio no meu trabalho\u201d, argumenta. Por 10 anos, ela liderou uma equipe composta por homens: \u201cSempre me impus, nunca dei espa\u00e7o para preconceito, sempre fui muito respeitada\u201d.<\/p>\n<p><b>Conversa Franca<\/b>\u00a0&#8211; Tatiane Marchette, trabalha como Analista de Compras na Usinagem JJ, de Jundia\u00ed (SP), e conta j\u00e1 ter sofrido, no passado, rejei\u00e7\u00e3o em um processo seletivo. No entanto, ap\u00f3s uma conversa franca e aberta com o gerente da empresa, conseguiu a vaga. Foi quando ela assumiu o seu primeiro cargo de lideran\u00e7a, motivo pelo qual quase foi agredida fisicamente por um funcion\u00e1rio que cobi\u00e7ava o cargo, o qual acabou sendo desligado. Na atual empresa, segundo Tatiane, h\u00e1 outras mulheres exercendo fun\u00e7\u00f5es relacionadas com a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante 12 anos, Tatiane ocupou um cargo de lideran\u00e7a em uma empresa de usinagem, como Gestora de Qualidade. Nesta \u00e9poca decidiu cursar uma segunda gradua\u00e7\u00e3o \u201cGest\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o Industrial\u201d, j\u00e1 que anteriormente ela havia se formado em Pedagogia. \u201cPor meio do mundo da usinagem meu curr\u00edculo ficou conhecido e fui sendo indicada para diferentes fun\u00e7\u00f5es\u201d, detalha.<\/p>\n<p><b>Empoderamento<\/b>\u00a0&#8211; Recentemente, Naiane Nunes, que j\u00e1 ocupava a diretoria de Opera\u00e7\u00f5es da Tornos Group no Brasil, passou a dirigir tamb\u00e9m da filial dos Estados Unidos. Trata-se da primeira mulher a ocupar um cargo de lideran\u00e7a na multinacional de origem su\u00ed\u00e7a. Para ela, em um meio ainda t\u00e3o masculinizado, a imagem acaba sendo a pr\u00f3pria campanha, pois o exemplo causa efeitos positivos. \u201cPessoas esperam dire\u00e7\u00f5es de seus l\u00edderes e uma vez que voc\u00ea compartilha sua vis\u00e3o, fazendo disso um h\u00e1bito, a mudan\u00e7a, por mais branda que possa parecer, vai surgir\u201d, pondera. &#8220;\u00c9 preciso deixar bem vis\u00edvel a necessidade de inclus\u00e3o, trabalhar o desenvolvimento humano e o empoderamento dos colaboradores&#8221;.<\/p>\n<p>Naiane conta que a Tornos pretende desenvolver e criar parcerias com escolas profissionalizantes, associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O objetivo \u00e9 criar uma plataforma que conecte e desenvolva pessoas profissionalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Quero apoiar a diversidade para que haja mais espa\u00e7o e mais igualdade de oportunidades. Meu objetivo \u00e9 desenvolver parcerias para a capacita\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Atrav\u00e9s da Tornos, desejo contribuir com a ind\u00fastria de usinagem e metal\u00fargica para que realmente essas a\u00e7\u00f5es sejam implementadas na pr\u00e1tica e, assim, a mudan\u00e7a no setor aconte\u00e7a. O espa\u00e7o n\u00e3o pode ser limitado, ele \u00e9 de todos e para todos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><b>Especializa\u00e7\u00e3o e visibilidade<\/b>\u00a0&#8211; Todas as entrevistadas ressaltaram a import\u00e2ncia da especializa\u00e7\u00e3o e da busca pelo conhecimento em suas trajet\u00f3rias. \u201cTemos que estar um passo \u00e0 frente em rela\u00e7\u00e3o ao conhecimento. Por ser um meio predominantemente masculino, precisamos ter um alto n\u00edvel, at\u00e9 mais alto do que o exigido para o cargo. Com propriedade, a gente acaba derrubando o preconceito\u201d, aponta a engenheira de produ\u00e7\u00e3o L\u00edgia Rossi, que trabalha na empresa de usinagem Irm\u00e3os Narcizo, de Louveira (SP).<\/p>\n<p>A engenheira argumenta que as vagas s\u00e3o feitas para pessoas, independente do sexo: \u201cA gente tem de trabalhar a ideia de profissional, seja homem ou mulher. Empresas com mais mulheres v\u00e3o ter um outro olhar e, mesmo que a longo prazo, vamos mudar essa hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Ellen Mariano, do Senai, sempre que pode, dialoga com ex-alunas: \u201cA mec\u00e2nica \u00e9 uma \u00e1rea muito ampla, o primeiro passo \u00e9 entender qual segmento seguir\u201d.<\/p>\n<p><b>Redes Sociais<\/b>\u00a0&#8211; Se os caminhos tradicionais, como o simples envio de curr\u00edculos, n\u00e3o atendem \u00e0s necessidades das mulheres, elas parecem ter encontrado outro caminho. V\u00e1rias das entrevistadas consideram que as redes sociais direcionadas ao mercado de trabalho, como o LinkedIn, podem dar maior visibilidade \u00e0s mulheres. \u201cPrecisamos educar outras mulheres. A gente s\u00f3 pode se inspirar naquilo que vemos. Temos que influenciar outras mulheres de forma positiva\u201d, diz Pamela Matias.<\/p>\n<p>Gislaine Freitas conta que o LinkedIn trouxe muitas oportunidades. \u201cEu sou uma boa profissional, mas ningu\u00e9m me conhecia. Agora at\u00e9 uma empresa canadense j\u00e1 entrou em contato comigo\u201d. Ela afirma ser muito importante participar de grupos sobre usinagem no LinkedIn, Facebook e Whatsapp.<\/p>\n<p>Para Tatiane Marchette, \u00e9 preciso uma mudan\u00e7a de mentalidade, j\u00e1 que muitas mulheres gostariam de ingressar na \u00e1rea metal mec\u00e2nica, mas s\u00e3o desencorajadas diante das estat\u00edsticas de cargos ocupados e, tamb\u00e9m, pela quest\u00e3o salarial. \u201cSempre inferior ao sal\u00e1rio de um homem com o mesmo cargo\u201d, pontua. (<b>Reportagem de Sheila Moreira<\/b>)<\/p>\n<p>FONTE:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.usinagem-brasil.com.br\/15770-mulheres-conquistam-espaco-na-area-de-usinagem\/\">USINAGEM BRASIL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presen\u00e7a das mulheres avan\u00e7a em todos os setores da economia, basta ver o aumento do n\u00famero de representantes do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[38],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3345"}],"collection":[{"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3345"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3345\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3346,"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3345\/revisions\/3346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tubotech.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}