As vantagens da manufatura compartilhada em usinagem

Diariamente, desde a chegada da pandemia de coronavírus, a retomada da indústria está em pauta. No entanto, o pleno retorno das atividades industriais depende, além de uma série de fatores, do regresso dos fornecedores que compõem a sua cadeia de suprimentos. Muitas pequenas e médias empresas fornecedoras de peças usinadas, por exemplo, tiveram suas estruturas financeiras impactadas pela crise e deixaram de atender a demanda de outras empresas.

Bruno Diesel Gellert, fundador e CEO da Peerdustry – Manufatura Compartilhada, destacou que nas últimas décadas a área de supply chain do setor de usinagem passou por poucas mudanças, durante o webinar “Usinagem de peças sob demanda em rede digital de manufatura compartilhada”, realizado no dia 13 de julho, pela Abimaq. “Houve pouca inovação ao longo dos anos. Hoje, muitas empresas trabalham com fluxos ineficientes e análogicos, além de uma pequena rede de fornecedores. A indústria ainda trabalha de forma analógica, muita coisa por telefone e por e-mail, sem uso de plataformas digitais ou aplicativos”, disse.

Segundo Gellert, a pandemia afetou negativamente a cadeia global de suprimentos, já que muitas empresas perderam crédito para compra de matéria-prima ou saíram do mercado – e, não só no Brasil, mas no mundo, e não só no segmento de usinagem. Ele ressaltou que, apesar de as empresas maiores possuírem caixa, elas não contam com uma cadeia de fornecedores bem estruturada. “É preciso olhar além do fornecedor primário, pois ele também depende de uma série de outros fornecedores. Com o home office, ficou evidente a necessidade de investimento em ferramentas digitais para o gerenciamento dos negócios. A pandemia serviu para nos mostrar como trabalhamos a nossa cadeia de suprimentos”, afirmou o CEO.

O executivo usou como exemplo o fornecimento de peças MRO (Manutenção, Reparo e Operações), que rodam na linha de produção. “Se o fornecedor parar, a linha de produção do cliente final também para. Ou seja, uma produção de alto custo, muitas vezes é parada pela falta de uma peça de baixo custo. Isso é um problema anterior à pandemia”, apontou Gellert. Portanto, neste cenário, o uso de plataformas de manufatura sob demanda focada em peças de usinagem, como a Peerdustry, se mostra um porto seguro para a indústria.

Por meio da plataforma, é possível acessar centenas de fornecedores. O objetivo da Peerdustry de agregar, em um só lugar, produtos e serviços para atendimento do mercado de peças usinadas (abastecimento, compra, produção, qualidade, venda e entrega), se enquadrando no conceito “one stop shop”.

O uso de plataformas de manufatura compartilhada, de acordo com Gellert, pode trazer muitas mudanças para o segmento. “Antes a flexibilidade em relação à quantidade de fornecedores era muito baixa. Com este modelo de rede, é muito alta. O aumento do número de fornecedores atinge uma maior quantidade de especialistas que buscam peças ou serviços de usinagem”, explicou. Entre os benefícios da adoção de uma plataforma estão: aumento da digitalização, queda no risco da interrupção do fornecimento, maior eficiência no processo de compra da peça e melhor compliance.

Para Gellert, o uso de uma rede de manufatura sob demanda depende, entre outros fatores, de uma mudança na cultura da empresa. “É preciso pensar diferente”, afirmou. Outro fator importante está relacionado aos desenhos técnicos das peças: “Muitas empresas não possuem os desenhos das peças MRO e ficam presas ao fornecedor. Por isso, destacamos a importância de ter acesso a uma rede de projetistas para ajustar e criar desenhos, além de outros serviços nessa área”. O CEO também mencionou a importância da indústria de bens de capital começar a consumir peças sob demanda como uma medida de redução da estrutura de custo fixo interno.

No geral, as empresas estão utilizando ferramentas digitais como a Peerdustry para compras de peças MRO, gestão de contratos de peças de baixa recorrência, terceirização de peças antigas para produtos em garantia, terceirização de peças usinadas de baixo valor agregado (foco no core business), protótipos e nacionalização de peças.

Atualmente, a principal carteira da Peerdustry é de MRO, com mais de 1600 homologações de máquinas. O modelo de plataformas digitais dedicadas à usinagem, segundo Gellert, está ganhando espaço no mercado global, principalmente nos Estados Unidos, que sempre foi bastante dependente da manufatura da China, país que enfrentou um longo período de isolamento social por conta da Covid-19. “A solução de manufatura em rede é extremamente adaptada para o cenário que estamos vivendo, com muita incerteza, variação de oferta e demanda e pouco contato social”, concluiu Gellert.

A Peerdustry recentemente lançou a Academia Peerdustry – http://academia.peerdustry.com – que traz conteúdo dedicado à manufatura compartilhada em usinagem.

FONTE:
USINAGEM BRASIL

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