Economia circular: Resíduo do aço melhora robustez do concreto

De acordo com estudo, essa é uma abordagem de desperdício zero que poderá ajudar na economia circular

Um subproduto da fabricação de aço pode ser usado para tratar águas residuais e tornar o concreto mais forte, demonstraram pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália. De acordo com eles, essa é uma abordagem de desperdício zero que poderá ajudar na economia circular.
Produzida durante a separação do aço fundido das impurezas, a escória de aço é frequentemente usada como material agregado substituto para a fabricação de concreto. Ela também pode ser utilizada para absorver contaminantes, como fosfato e magnésio, no processo de tratamento de águas residuais, mas perde eficácia com o  tempo.
Os pesquisadores de engenharia da RMIT analisaram se a escória usada no tratamento de águas residuais poderia ser reciclada como material agregado para concreto. Essa mistura resultou em um concreto 17% mais forte que o fabricado com agregados convencionais e 8% mais robusto que a escória de aço bruto.
O engenheiro hidráulico Biplob Pramanik, um dos autores do artigo, disse que o estudo foi o primeiro a investigar possíveis aplicações desse tipo de escória. “A indústria global de fabricação de aço produz mais de 130 milhões de toneladas de escória de aço a cada ano”, diz. “Grande parte desse subproduto já entra em concreto, mas estamos perdendo a oportunidade de obter todos os benefícios desse material.”
Segundo o cientista, tornar o concreto mais forte pode ser tão simples quanto aprimorar a escória de aço, usando-a primeiro para tratar as águas residuais. “Embora existam desafios técnicos a serem superados, esperamos que essa pesquisa nos aproxime um pouco do objetivo final de uma abordagem integrada e sem desperdício em todas as nossas matérias-primas e subprodutos”, afirma Pramanik.
 Pramanik chama a atenção para outra vantagem do procedimento. “As coisas que queremos remover da água são realmente benéficas quando se trata de concreto, por isso é uma combinação perfeita”, diz
O engenheiro civil Rajeev Roychand afirma que o estudo inicial é promissor, mas são necessárias mais pesquisas para implementar a abordagem em larga escala, incluindo a avaliação das propriedades mecânicas e de durabilidade a longo prazo. “Atualmente, a escória de aço não é amplamente utilizada na indústria de tratamento de águas residuais. Apenas uma planta da Nova Zelândia utiliza esse subproduto em sua abordagem de tratamento”, conta. “Mas há um grande potencial aqui para três indústrias trabalharem juntas — siderurgia, tratamento de águas residuais e construção — e colherem os benefícios máximos desse subproduto.”\

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