Visão do Correio: Fôlego para sair da crise

A pandemia do novo coronavírus forçou a esmagadora maioria dos setores produtivos a se adaptar à nova realidade imposta pelo isolamento social, única arma conhecida, até agora, que, comprovadamente, freia o avanço da Covid-19. O setor siderúrgico, um dos pilares da economia nacional, não ficou de fora. São muitas as medidas adotadas pelas companhias para se moldarem aos novos tempos, com as atividade econômicas em baixa, já que o consumo caiu a níveis nunca antes vistos — previsões de economistas dão conta de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil possa ter retração de mais de 5% neste ano.
A nota positiva é que todas as providências tomadas pelas empresas, nas palavras de seu dirigentes, visam a preservação das vidas de seus colaboradores. As quase 30 siderúrgicas que operam no território brasileiro sentem os efeitos negativos da crise desencadeada pelo novo coronavírus. A indústria do aço, que vinha enfrentando dificuldades por causa dos baixos índices de crescimento econômico, também foi atingida pela guerra comercial travada pelos dois gigantes da economia mundial, Estados Unidos e China.
Medidas foram adotadas pelas principais siderúrgicas do país para a manutenção mínima da operação, como fizeram a Companhia Siderúrgica Paulista (em Cubatão, São Paulo), Usiminas (em Ipatinga, Minas Gerais) e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro). Além dos sistema de trabalho remoto (home office), para boa parcela dos empregados, a entrada e a saída de fornecedores e trabalhadores são rigidamente controladas, inclusive com medição de temperatura. O distanciamento social virou rotina.
Um dos maiores problemas para as companhias é que o setor automotivo e a construção civil estão praticamente paralisados. As montadoras, por exemplo, deram férias coletivas aos seus funcionários até o fim do mês, o que afeta diretamente a produção, principalmente, de aços planos. Pela previsão do Instituto Aço Brasileiro (IABr), entidade que representa o setor, a queda no consumo do produto neste ano, no Brasil, será da ordem de 20%.
Diante do quadro atual, a produção na usina paulista de Cubatão ficará suspensa por 30 dias. A Usiminas também decidiu paralisar, temporariamente, dois alto-fornos e uma aciaria. A companhia continua operando um alto-forno, uma aciaria e as laminações e galvanizações. Tudo para se ajustar aos retraídos mercados interno e externo. A pandemia forçou as grandes siderúrgicas a se adaptarem como todos os setores produtivos. O que se espera é que o parque industrial brasileiro, inclusive o da estratégica siderurgia, tenha fôlego para sair desta crise sem prejuízos irreversíveis.

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