Setor de cabos tenta pegar carona em energia solar

Um estudo divulgado recentemente pela consultoria Bloomberg New Energy Finance aponta que o Brasil deve receber quase US$ 100 bilhões em investimentos em energia solar até 2040. Antes ignorada por causa de seu alto custo de implantação, a fonte fotovoltaica já é uma realidade no maior país da América Latina, e seu crescimento vem movimentando a cadeia de fornecedores do setor.

“Os investimentos bilionários no setor [de energia fotovoltaica] já impactam na busca por fios e cabos especiais que possam acompanhar a tecnologia e o aprimoramento das placas fotovoltaicas. Percebemos fabricantes ávidos por matérias-primas capazes, eficientes, competitivas e que atendam todas as normas exigidas pelo setor”, diz à ANSA Paulo Garnica, dono da FG Wire e da FG Resinas, fabricantes de compostos para cabos, inclusive fotovoltaicos.

Segundo ele, a empresa está “pronta e ávida” para atender ao crescimento da demanda. “Já percebemos isso em nosso portfólio. Atualmente, a demanda por matérias-primas e masterbatches [composto usado para dar cor a produtos de plástico] para a linha de energia fotovoltaica cresce mensalmente”, acrescenta Garnica, que busca a liderança no mercado brasileiro.

O executivo conta que a FG mostrará seus produtos voltados para energia solar na próxima edição da Wire South America, feira de fios e cabos realizada pela Messe Düsseldorf e organizada pela Cipa Fiera Milano. O evento acontece de 1º a 3 de outubro, no São Paulo Expo, zona sul da capital paulista, paralelamente à 10ª edição da Tubotech, dedicada a tubos, válvulas, bombas e conexões.

Crescimento

O Brasil vem recebendo investimentos bilionários em energias renováveis nos últimos anos, inclusive por meio de gigantes mundiais do setor, como a italiana Enel, dona de alguns dos maiores parques eólicos e fotovoltaicos do país.

Segundo estudo divulgado em maio pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 41 mil usinas de energia solar foram instaladas no Brasil entre 2016 e 2018. Isso elevou a participação da fonte fotovoltaica na matriz energética nacional de 0,1% para 1,4%. Quando se soma os parques eólicos, o índice ultrapassa os 10%.

“A concorrência saudável é extremamente importante para o desenvolvimento sustentável do Brasil. A chegada de gigantes nos prestigia e mostra que o mundo está acreditando novamente em nosso país”, afirma o dono da FG Wire.

Garnica prevê também que o setor de energia solar tenha uma importância cada vez maior para o mercado de fios e cabos. “A energia fotovoltaica é a bola da vez”, sentencia.

FONTE: TERRA
Negócios Disruptivos